
Enquanto observo algumas coisas que mudam para tentar achar respostas às minhas angústias existenciais, hoje reparei na saudade.
Se antes eu sentia falta do pão de queijo todas as manhãs, hoje já sei onde achar o melhor pão de queijo de Portugal. Com a crocância e maciez na medida certa e, pasmem, paulistas: com bastante queijo! Compro congelado e asso em casa. Em apenas 15 minutos na airfryer, sou transportada para Minas. E quando tenho a sorte de ter um doce de leite gostoso que alguém me traz, ah, aí sim! Um suspiro profundo e, por alguns segundos, sinto que não há problema no mundo.
Se antes eu sentia falta do pastel frito na hora, do podrão no fim de semana e da coxinha no café da tarde… Hoje, tenho tudo isso. Só precisei de mais tempo para descobrir onde estava. Nada que a experiência, a vontade e a procura não possam resolver.
Se antes eu sentia falta dos meus pais e irmãos, hoje sei que essa saudade não é impossível de ser superada. O que são alguns meses longe comparados a toda uma vida? E, claro, fica a esperança de que esses meses não se transformem em anos. Tenho certeza: há esforço de todo mundo para que isso não aconteça.
Se antes eu sentia falta do meu sobrinho, que da última vez que o vi ainda tentava engatinhar, hoje sinto um abraço apertado toda vez que ele fala “titia Debinha” ao me ver pelo telefone. E isso acompanhado de um sorrisinho lindo, é claro. É sério, já chorei de medo muitas vezes pensando que ele poderia não saber quem eu sou. Mais do que isso, tenho medo de que ele não saiba o tamanho do amor que sinto por ele. É bem grande.
Por outro lado, algumas coisas permanecem. Se antes eu sentia falta do meu trabalho, hoje sinto ainda mais. Não que eu não esteja trabalhando como jornalista, eu estou. Mas sinto falta do jornalismo local que fazia em Belo Horizonte, da liberdade de sugerir e do respeito que adquiri. Do prazer de trabalhar e colher os frutos. Sinto falta das pessoas com quem trabalhei, dos colegas e grandes amigos que fiz nessa caminhada. Da gentileza, do carinho e da hospitalidade que só quem é mineiro sabe valorizar quando sai do seu terreno. Essa é uma saudade que não tem como matar. Tem que seguir em frente. Talvez, daqui um tempo, essa também seja uma saudade que muda.

Uaauuu!!! Que texto!!! 😍😍🥰🥰❤️ E cada um que lê, se imagina em alguma situação (particular) de saudade que muda… 🩷 Sensacional Déborah.
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