Tio Vicente, dancing queen e o bom combate combatido



Tio Vicente, sempre vou lembrar do senhor. Hoje, com muita tristeza, nos despedimos. Mas quero lembrar de quando o senhor me ensinou alguns passos dançando ABBA. Ao som de “Dancing Queen” fui conduzida à felicidade. A alegria de estar em família, de compartilhar risadas e fazer ótimas memórias. Que delícia é lembrar desses momentos!

Quando eu era criança, ansiosamente aguardava o momento em que o senhor me buscaria para passar a noite em sua casa, junto da Tia Maria. Com algumas peças de roupa na mochila, passávamos pelo Esplanada, atravessávamos a ponte e chegávamos.

O senhor perguntava o que eu queria comer e eu respondia que gostava “daquela carne verde”. O senhor deve ter pensado que eu comia comida estragada, imagino eu. Mas não demorou muito e todos entendemos que eu enxergava o fígado de boi um pouco esverdeado. Estou certa? Não sei. Mas estou certa de que adorava ir pra casa do senhor, ouvir o papagaio falar algumas besteiras, comer abacate com açúcar que caía direto da árvore gigante do quintal, e ajudar a Tia Maria fazer pé de moleque. Com amendoim torrado em casa, bem raiz e com muita fumaça.

Aliás, Tia Maria, oro para que Deus esteja confortando o seu coração. Tia Maria, Eliazar, Ismael e Rebeca; meu pai e meus tios… sintam de longe meu abraço. Peço desculpas por não poder estar presente neste momento.

Lembro também, tio Vicente, do dia em que acabou a energia e ficamos todos à luz de velas. Para uma pequena criança de franjinha foi uma diversão só! Uma super aventura! Também me lembro de quando o senhor saía para comprar o refrigerante que eu gostava… algum sabor diferente de Coca-Cola que estava na moda na época. Como foi bom ser criança na casa do tio!

Também me lembro, Tio Vicente, do senhor sempre citando versículos da Bíblia. Mais especificamente daquele em que o Apóstolo Paulo diz: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. Assim como o senhor fez, deixando um legado de determinação e fé.

Descanse em paz, tio Vicente, e que em breve, nos céus, possamos dançar ao som de melodias eternas.

Da sua sobrinha, debinha. 13/02/2024.

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