
Há duas semanas eu estava no saguão do aeroporto, com coração acelerado na ansiosa espera de receber meu irmão. Um pedaço de casa que ficou no Brasil cruzava o oceano para me visitar. Enquanto eu segurava um balão branco com corações coloridos e um letreiro improvisado no celular, vi ele aparecer e o meu coração transbordou de alegria.
O abraço apertado que ganhei naquele momento foi como uma injeção de ânimo, capaz de dissipar a saudade que muitas vezes aperta o peito. Ali, no aeroporto, começavam dias de sonhos compartilhados.
Caminhamos pelas lindas ruas históricas e outras modernas de Portugal. Na Serra da Estrela vimos neve, uma novidade de congelar o corpo e aquecer o coração. O som das ondas gigantes em Nazaré nos deixou perplexos e incrédulos.
O sol e o vento nas praias de Cascais deixaram o passeio de patinete (trotinete, como dizem os portugueses) ainda mais especial. Os castelos de Sintra, mesmo debaixo de chuva, escreveram novas boas histórias.
É claro, a culinária não ficou de fora. O bacalhau, o pastel de nata e os travesseiros foram descobertas curiosas. O ponto alto foi descobrir alguém que não gosta de francesinha. Pois é: meu irmão.
Dos miradouros de Lisboa contemplamos a paisagem com o Tejo. O frio forte na Torre de Belém e, por último, no Parque das Nações, não atrapalhou o encanto do passeio turístico.
Paris, a Cidade Luz, foi o mais importante capítulo da viagem. Caminhamos pelas margens do Rio Sena, vimos de perto a grandeza do Arco do Triunfo e nos emocionamos no acender das luzes da Torre Eiffel. Esse, com certeza, é um dos nossos maiores sonhos que pudemos realizar juntos.
O momento da despedida chegou há poucas horas. O abraço, dessa vez, carregou um tom de partida e incerteza de quando vamos nos ver de novo. Ali, tive que recordar a saudade que sinto dos meus irmãos e pais. Um aperto forte no peito toda vez que penso na distância que nos separa.
Mas, no fim das contas, este texto é sobre a alegria compartilhada na realização dos sonhos de quem amamos. Saber de onde viemos, todas as dificuldades que passamos e ver os olhos dele brilhar com algo que um dia já nos pareceu impossível… Isso transcende o tempo e a distância.
O avião partiu. E eu acompanhei a decolagem da minha janela, com um coração certo de que cada sonho realizado é um elo que nos une enquanto família.
