Heróis na Primeira Página – o documentário

*Alerta de gatilho: este documentário relembra imagens e situações trágicas vividas no crime da Vale em Brumadinho.

As gravações deste documentário foram feitas entre outubro e novembro de 2019, enquanto eu analisava, para meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), uma das capas do jornal Estado de Minas durante a cobertura jornalística da tragédia em Brumadinho, quando houve a ruptura de uma barragem no distrito de Córrego do Feijão, deixando 272 mortos e centenas de feridos.

O objeto de estudo é o exemplar do dia 29 de janeiro de 2019, quatro dias após o desastre. A capa, intitulada “Heróis”, modifica os padrões do jornalismo impresso diário para reconhecer o trabalho do Corpo de Bombeiros, devido à sua grande notoriedade.

Durante os estudos, pude concluir a importância do papel jornalístico em transmitir a mensagem em um jornal impresso, que ultrapassa a informação nua e crua, mas que também se utiliza de recursos legítimos para levar emoção ao leitor.

Cinco anos após a tragédia-crime da Vale em Brumadinho, bombeiros ainda trabalham em busca de três “joias” – como são chamadas as vítimas que não foram encontradas. Não há prazo para encerramento das operações. A promessa é que os trabalhos terminem quando todos forem encontrados.

Este não é um documentário apenas sobre a tragédia de Brumadinho. É sobre uma relação de amor a duas profissões que se entrelaçam: o jornalista e o bombeiro.

Notas da autora

O conteúdo deste documentário esteve guardado durante todo este tempo, mas nunca saiu do meu coração. Infelizmente, após as gravações, passou por intempéries no processo de edição. Mas garanto que fiz com muito carinho e apreço, resultados do meu envolvimento direto na cobertura da tragédia, ainda enquanto estagiária do jornal Estado de Minas.

Eu concordo com o que disse Carlos Marcelo no vídeo: esta foi uma cobertura transformadora. Me transformou enquanto pessoa e profissional. Quando comecei a estudar jornalismo, nunca pensei que noticiaria uma tragédia de magnitude tão grande. Lembro que naquele 25 de janeiro de 2019 eu estava muito assustada.

Enquanto ser humano, eu senti a mesma tristeza do dia 5 de novembro de 2015 – tragédia em Mariana. Mas enquanto profissional-aprendiz eu buscava entender como agir de forma ética e ao mesmo tempo rápida.

Ao longo dos dias, a tensão se fazia presente em todo tempo. Lembro de notar como a redação, que sempre foi barulhenta e bem-humorada com piadas sarcásticas típicas de bons jornalistas, ficava em silêncio. E quando não havia silêncio, a comunicação se tornava estritamente sobre pautas, novos números, declarações e depoimentos.

Foi ali, no meio do caos de uma tragédia-crime, que comecei a aprender a escrever a dor do outro. A dor que doía em mim também. A dor que era inevitável sentir. A dor que também gerava revolta. E resultava em cobrança. Impossível se conformar. Até hoje.

Ao longo das semanas, fui entendendo o que era uma grande cobertura jornalística. Ao longo dos meses, fui me moldando e conhecendo, cada vez com mais sensibilidade, muitas vítimas atingidas direta ou indiretamente. Ao longo desses cinco anos, acompanhei de perto o trabalho dos bombeiros.

Voltei a ser estudante e, apesar de fazer o mestrado longe das redações, não gostaria de deixar esta data passar despercebida. É triste, é revoltante, dói, mas cada vez que falamos, relembramos e publicamos, cumprimos a nossa missão de não deixar que crimes assim caiam no esquecimento. Cumprimos a missão por nós e por eles.

Um comentário

  1. Hoope.. olá Déborah! Gostaria de deixar esse pequeno recado de dever cumprido por você e pelos Bombeiros que atuaram e ainda atuam para trazer um pequeno acalento à sociedade que tanto sofreu pelo maior Desastre de Barragem ocorrido no mundo.

    Chocante, devastador, irremediável e irreparável… somente o amor para reconstruir os corações e somente as imagens para que nunca mais aconteça novamente!

    Rafael

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário