Reflexão aos amigos jornalistas

Participei do 5º Congresso dos Jornalistas em Portugal e compartilho aqui um pouco do que aprendi durante esses 4 dias de imersão em intensas discussões.

Começo pelo resumo: são tempos sombrios, meus colegas. Eu, em toda minha ingenuidade e mente limitada, pensava que a crise no jornalismo se restringia ao nosso país.

A verdade é que nossa profissão no Brasil ainda tem muito mais chances de sobreviver do que em dezenas de outros países. Aqui em Portugal, por exemplo, o jornalismo respira sob aparelhos. E acredite: se nada mudar, a morte não vai ser lenta.

No primeiro dia, com a presença do presidente da República, a reflexão sobre a coragem necessária para aqueles que saem e os que ficam no jornalismo foi destacada.

Um importante grupo da imprensa portuguesa está prestes a demitir quase 200 funcionários. O que é um perigo, porque apoiar o jornalista é crucial para a democracia.

Salários atrasados, exploração dos empregados, horas extras nunca pagas, ambiente tóxico, pressão pela entrega de mais material e cada vez com mais velocidade, trabalhar sozinho e entregar resultado como se fosse uma equipe de 30 pessoas.

Sério: ouvi um relato de um jornal esportivo que só tinha 3 jornalistas para produzir 12 páginas diariamente.

O ofício é considerado o melhor do mundo, mas também o pior emprego.

Quem são os jornalistas?

No segundo dia houve muita reflexão sobre quem nós somos. E é bom relembrar: jornalistas são descritos como inquietos, insatisfeitos e reflexivos por natureza. O critério essencial para ser jornalista é ser um bom cidadão. Este não é apenas um trabalho, mas um modo de vida.

Outras notas

  • O exercício da dúvida é central todos os dias, o tempo todo.
  • Credibilidade é o nosso único patrimônio que deve ser diariamente construído com dúvidas, ousadia e criatividade.
  • Jornalismo é uma profissão de risco para a saúde mental e física. Apesar dos pesares, não podemos perder esperança – essa é a razão de doenças mentais.
  • A busca por financiamento para reportagens e projetos jornalísticos tem aumentado e a oferta diminuído.
  • O último dia de congresso abordou a relação entre a extrema-direita e o jornalismo, enfatizando a necessidade de não dar o mesmo peso para mentira e verdade.

Outro tema bastante atual do qual sou muito interessada: a ameaça ou oportunidade da inteligência artificial, destacando que ela não é apenas uma ferramenta, mas toma decisões, aconselha e influencia. O entendimento da tecnologia tornou-se essencial para os jornalistas. Precisamos saber o que está se passando. Tecnologia não é mais uma coisa de nerds.

E aí, amigos: seguimos fortes ou nos entregamos?

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